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Outro dia fui ajudar a minha mãe a buscar uma de suas pacientes no hospital. A senhora, que chamaremos de “Silvia”, havia passado por uma cirurgia no joelho devido a problemas ósseos causados pela sua grave deficiência mental. Silvia é extremamente dependente, e necessita de cuidados especiais diários, embora saiba se comunicar. A cirurgia a capacitaria a andar com menos dificuldade trazendo, supostamente, uma certa independência. Caminhar sem assistência seria uma experiência nova para essa mulher.

Convencê-la de que o procedimento seria benéfico não foi o problema. Os dias após a operação, entretanto, trouxeram desafios. Ao se deparar com sua condição – os pontos no joelho e a total dependência das enfermeiras – Silvia entrou em depressão, e determinou em seu coração que seria inválida para o resto da vida. Essa senhora recusou-se a reconhecer que sua condição era temporária, e que em poucos dias estaria andando novamente. No segundo dia após a cirurgia, Silvia insistiu que precisava de ajuda até para levar o garfo à boca! Minha mãe assumiria a árdua tarefa de trazer esperança a esse coração pré-programado a apatia!

O dia em que Silvia teve alta do hospital foi marcante…creio que Deus nos ensinou uma tremenda lição. Logo de manhã, Silvia decidiu crer que não conseguiria sair da cadeira de rodas e entrar no carro, apesar da instrução do médico. A recuperação só ocorreria à medida que a paciente caminhasse; ou seja, caminhar novamente dependeria de uma mudança de atitude. Silvia estava clinicamente pronta para voltar a andar, mas emocionalmente e espiritualmente estava condicionada àquilo que determinara em seu coração após a operação. Depois de muita insistência conseguimos convencê-la a tentar. A ansiedade daquela mulher era visível em seu semblante. A esperança de total recuperação já não fazia diferença, pois o medo de cair era quase incontrolável.

Ao ver o carro, Silvia entrou em pânico e começou a dizer: “não sou capaz, não sou capaz”. Ofereci a minha mão, prometi que não a deixaria cair, mas ela insistia que não era capaz. A paciente (já não tão paciente) só concordou em sair da cadeira de rodas contanto que três pessoas a segurassem. Com muito choro seguidos de vários gritos: “não sou capaz” Silvia se levantou e cuidadosamente acomodou-se no carro. Enorme progresso! O próximo passo seria convencê-la a praticar os exercícios em casa.

Essa experiência me fez refletir muito: Será que temos a mesma tendência de nossa amiga? Deus constantemente opera “cirurgias espirituais”, e em todos os casos, o objetivo é corrigir nossos passos. Quando Ele começa a operar e sentimos as primeiras dores começamos a reclamar e desistimos do “procedimento”. Muito me entristece ver pessoas pré-determinadas à condição de inválidas espirituais – homens e mulheres que programam sua mente à derrota afirmando que são incapazes de serem bons maridos, pais mais presentes, e etc; ou mulheres que determinam que nunca terão um casamento harmonioso, ou um relacionamento saudável com a família… antes mesmo de tentar!!!

Ah, se todos nós dedicássemos mais tempo à leitura da Biblia! Na Palavra de Deus descobrimos que a boa obra divina ainda não terminou (Filipenses 1:6). Também descobrimos que com Ele, podemos voltar a caminhar sem mancar! (Filipenses 4:13); e felizmente, descobrimos que uma renovação intelectual é essencial para que possamos experimentar a boa e agradável vontade de Deus (Romanos 12:2).

Querido amigo(a) saiba que Deus está perto, pronto para te segurar em caso de tropeço logo após uma experiência dolorosa. Talvez a última “operação” não tenha sido agradável, e voltar a caminhar tem causado ansiedade. Sugiro que aprendamos com aquele que passou por várias experiências dolorosas. Cristo foi rejeitado pelo seu povo, traído por um de seus discípulos, e abandonado por um de seus melhores amigos. Porém, a sua maior dor foi na cruz. Lá ele sentiu o peso dos pecados da humanidade. Os pregos perfurando a sua pele causaram sofrimento indescritível, mas imagino que a maior aflição do nosso Salvador foi a separação temporária do Pai. Sua angústia está registrada em Mateus 27:46 e Marcos 15:34: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Em pensar que foi por nós que ele passou por essa dor!! O Pai precisou, temporariamente, desamparar a Filho para não nos desamparar eternamente. Jesus foi posto num sepulcro e no terceiro dia ressurgiu; saiu da tumba caminhando. A sua especialidade hoje é ensinar os outros a voltar a viver…viver para sempre!

Pode tentar viver sem medo, amigo(a). VOCÊ É CAPAZ…o teu Deus te capacita. Lembre-se que: Confirmados pelo Senhor são os passos do homem em cujo caminho ele se deleita; ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor lhe segura a mão (Salmos 37:23-24).

Silvia voltou a andar; voltou também a sorrir.

Você está passando por uma “cirurgia espiritual”? O que Deus está te ensinando?

photo credit: <a href=”http://www.flickr.com/photos/dlemieux/4259107574/”>dlemieux</a> via <a href=”http://photopin.com”>photopin</a> <a href=”http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/”>cc</a&gt

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