Four Pillars
A necessidade por liderança qualificada na igreja local foi primeiramente evidente quando os apóstolos concluíram que era hora de escolher “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6:3) para servir às mesas enquanto o ministério pastoral recebia atenção integral. Mais tarde, com a eleição de anciãos em cada igreja (Atos 14:23), a formulação de uma filosofia apropriada de ministério se tornou essencial. Paulo e Pedro, sob a direção do Espírito Santo, escreveram a igrejas e a indivíduos sobre como cuidar do rebanho de Deus da maneira correta. As qualificações espirituais do pastor deveriam ser observadas não só na fase apostólica da presente dispensação, mas pelos séculos vindouros.     

Hoje, infelizmente, é preciso distinguir entre ministério pastoral bíblico e não bíblico. Isso porque muitos líderes decidiram abandonar o modelo canônico, considerando-o arcaico e desatualizado. Tal filosofia de ministério é desastrosa e, embora produza resultados aparentemente positivos, é deficiente no quesito fundamental ao ofício pastoral: a fidelidade. A obsessão em trazer multidões acaba convidando o pragmatismo a ser adotado como regra na igreja e quando menos se espera, a distinção entre o Corpo de Cristo e a mundo desaparece. Por isso é fundamental que líderes eclesiásticos testem suas filosofias de ministério à luz da Palavra de Deus, lembrando que métodos seculares, por vezes se desatualizam, mas as Sagradas Escrituras são sempre relevantes, suficientes e perfeitamente adequadas para um ministério eficaz. Uma apuração do conteúdo bíblico designado a líderes revela pelo menos quatro imperativos fundamentais, sem os quais, qualquer metodologia pastoral se torna incompetente.[1]

O primeiro deles é produzir discípulos. A preferência por crescimento numérico, se não for avaliada, pode suplantar a fidelidade à missão mais importante da igreja. Enquanto muitas ideias de evangelismo em massa são propostas (a maioria das quais oriundas daqui dos EUA- como o movimento seeker-friendly), a responsabilidade pessoal do pastor em compartilhar a sua fé acaba sendo negligenciada. Muitas estratégias de evangelismo se limitam a trazer o incrédulo a um determinado evento da igreja. Vale lembrar, porém, que Jesus foi bem claro em sua comissão pós-ressurreição aos onze discípulos (Mateus 28:19-20). O verbo principal dessa construção, no original grego, é fazei discípulos. Os outros três (ir, batizar, e ensinar), são particípios que descrevem a ação do verbo principal (o primeiro, ide, funciona como imperativo). Portanto, qualquer estratégia de alcançar a comunidade secular que não enfatiza o ir não é fiel ao mandamento do próprio Jesus. Consequentemente, o pastor que não exemplifica o evangelismo pessoal falha com sua congregação e com seu Deus.   

O segundo mandamento aos pastores é a pregação da Palavra de forma expositiva. Curiosamente, Jesus, apesar da constância com que  ensinava em parábolas, costumava expor as Escrituras (compostas somente pelos livros do Velho Testamento na época) diante das multidões, atestando à veracidade de acontecimentos como a criação do homem e o dilúvio. Muitos pastores, entretanto, abandonam esse método, em busca de algo mais “apropriado” às mentes pós-modernas de hoje.[2] Paulo, entretanto, não poderia ser mais claro com seu filho na fé. Ele insistiu solenemente que Timóteo não sucumbisse à tentação de satisfazer as demandas do povo. O jovem pastor deveria pregar a Palavra (e não dar a sua opinião sobre ela) a qualquer custo, admoestando, repreendendo e exortando (2 Timóteo 4:1-2).

A terceira instrução bíblica a pastores é a capacitação dos santos. Todo líder de rebanho deve, além de produzir discípulos, prepará-los para a obra do ministério. Felizmente, Jesus deixou o exemplo de como investir em outas pessoas. Os doze discípulos, com a exceção de Judas, se tornaram líderes da igreja primitiva, em parte, porque passaram três anos convivendo com o Mestre. Pastores, que devem ser imitadores de Cristo (1 Coríntios 11:1), são instruídos a treinar o seu rebanho para a obra, em vez de assumir todas as responsabilidades do ministério. Essa é uma função pastoral que requer esforço elevado. Por isso muitos a delegam, entendendo ser a sua posição mais importante, requerendo status de patrão. Entretanto, a instrução de Paulo aos Efésios é inconfundível. O próprio Jesus estipulou certos ofícios na igreja tendo em vista “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo” (Efésios 4:11-12). Uma delas é função do pastor-mestre, que deve, além de produzir discípulos, preparar os mesmos, criando oportunidades para o serviço a Deus.

Por fim, o quarto encargo fundamental do pastor é pastorear o rebanho. Além de produzir e preparar discípulos de Jesus, o líder deve promovê-los a seus respectivos chamados. Esse trabalho também é árduo e requer muita dedicação. São poucos os que investem o tempo necessário nessa causa. Mas Pedro alerta  aos presbíteros na Ásia Menor: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pedro 5:1-3). Certamente os pastores das igrejas em Ásia Menor seriam tentados a não pastorear de maneira correta para evitar a severa perseguição por parte de Nero. Porém, o exemplo de fidelidade deveria ser dado. Além do mais, a imarcescível coroa da glória estava reservada aos anciãos que perseverassem diante de tão grande tribulação (1 Pedro 5:4). Para os leitores contemporâneos da primeira epístola petrina, a promessa ainda é válida, assim como a responsabilidade ainda é vigente. Qualquer outra forma de pastorear é ineficaz.      

Produzir discípulos (por meio de evangelismo individual); pregar a Palavra (de maneira expositiva), preparar discípulos (capacitando-os para a obra), e pastorear o rebanho adequadamente são as quatro marcas fundamentais de um ministério bem-sucedido. Sem esses absolutos qualquer filosofia de liderança pastoral se torna obsoleta e inadequada. Ainda que a congregação cresça numericamente, o objetivo deve ser a fidelidade e não o resultado. É possível controlar o primeiro, mas o segundo só Deus pode trazer. Ele o fará conforme a sua vontade soberana, em tempo determinado.     


[1] Não é a intenção desse autor limitar a lista de qualificações pastorais a essas quatro funções, mas sim, apresentá-los como essenciais.   

[2] Aqui nos EUA, os fundadores do movimento Emergent Church, sugerem que o pregador dialogue, entendendo ser este um método que evita o confronto. Uma investigação do padrão apostólico, entretanto, revela que nenhum dos apóstolos deixou de confrontar e exortar seus respectivos públicos.

photo credit: Stuck in Customs via photopin cc

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