A proliferação de falsas doutrinas tem causado uma indiferênça alarmante para com as Escrituras Sagradas em igrejas evangélicas, que embora mais cheias, têm se tornado cada vez mais tolerantes com o pecado. No meio evangélico o nome genérico disso é “liberalismo”. O lema de tal pensamento é abandonar a Bíblia como divinamente inspirada, proveitosa para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça (2 Timóteo 3:16) e seguir filosofias humanas no que diz respeito à administração do corpo de Cristo. O resultado é uma nova safra de ministérios perigosamente antropocêntricos, cujos objetivos principais se resumem em jamais ofender o pecador. Líderes de tais ministérios, entretanto, se deparam com um dilema inevitável: Como lidar com os pecados dos membros da igreja? Aparentes soluções são tentativas frustradas de ignorar grande parte da Palavra de Deus, que alertam os leitores quanto à santidade exigida pelo Pai. Muitos decidem simplesmente não mais classificar pecado como algo tão negativo. Por exemplo, em igrejas voltadas à satisfação do homem homossexualismo não é tratado como comportamento aprendido, mas sim como distúrbio genético; adultério é visto como resultado de infância mal resolvida,  idolatria é considerada verdade relativa do idólatra, e avareza é tida como imposição da sociedade ocidental.            

Deus, entretanto, tem uma perspectiva bem diferente. Nas páginas da Bíblia, pecado é corretamente identificados como a infelicidade de “errar o alvo” (do grego hamartia). Felizmente, as instruções sobre como lidar com a transgressão são claras. No quinto capítulo de 1 Coríntios, Paulo identifica na congregação a quem ele escreve, particularmente, o pecado da imoralidade sexual (1 Coríntios. 5:1-8). Além de apresentar graves problemas de divisões, carnalidade, soberba e imaturidade, a igreja em Corinto agora escandalizava até os pagãos da cidade com seu comportamento pecaminoso. Mas o autor  esclarece, sob inspiração divina, o processo e o propósito da disciplina congregacional. Os líderes de Corínto, assim como os leitores futuros da epístola, apascentariam o rebanho de Deus corretamente se seguissem as instruções apostólicas. Consequentemente, o pastor que promove esses princípios no confronto com o pecado de sua igreja, apesar de perder a popularidade, executa com fidelidade a vontade do Sumo Pastor.        

O PROCESSO DA DISCIPLINA CONGREGACIONAL:

Apesar de sua ausência, Paulo recomenda à congregação que o presbitério se reuna em assembléia para confrontar, com amor, o homem que havia cometido o “tamanho ultraje” de possuir a mulher de seu pai (1 Cor. 5:1-3). O escândalo já havia se torrnado público (1 Cor. 5:1), e segundo o contexto, há indicações que o pecador havia sido ao menos comunicado a respeito de sua transgressão. Isso porque Paulo instrui quanto ao próximo passo no processo: a excomunhão, o estágio em que ninguém espera ter de chegar. O fornicador recusava o arrependimento e a igreja negligenciava em agir biblicamente.

A disciplina congregacional, primeiramente instituída por Jesus em Mateus 18:15-17, é totalmente alheia à cultura moderna, onde individualismo é mais importante do que santidade. Para a igreja, porém, ser distinta do mundo não é opcional (Tiago 4:4). Por  isso, qualquer tolerância com o pecado deve ser imediatamente abolida, mesmo que a resolução traga desgaste emocional e físico que normalmente acompanham as críticas, frustrações e acusações (inevitavelmente dirigidas ao pastor).

Deus deseja que o dissidente, embora excluído da congregação local, eventualmente abandone o seu pecado; por isso Paulo espera que “o espírito seja salvo no Dia do Senhor” (1 Cor. 5:5). Embora o crente que vive em pecado corra o risco de morte prematura, por doença venérea ou por execução do estado (como aqui na Califórnia), por exemplo, ele não perde a sua salvação eterna. Entretanto, pode deixar de receber suas recompensas no dia do tribunal de Cristo, além de certamente perder alegria de servir ao Senhor (1 Cor. 3:10-15).

Toda disciplina deve ser aplicada em amor. Vale a pena lelmbrar do velho discurso filsófico dos pais: “Filho, a sova vai doer mais em mim do que em você”. A idéia é disciplinar a quem ama. A Bíblia diz que Deus assim faz com seus filhos. As palavras de Salomão são inspiradoras: “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enojes da sua repreensão; porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Provérbios 3:11-12). Deus deu à igreja a incumbência de disciplinar o crente em pecado.

O PROPÓSITO DA DISCIPLINA CONGREGACIONAL:

O arrependimento do cristão em pecado é o objetivo da disciplina. A ilustração de Paulo e a pergunta retórica em 1 Cor. 5:6 comunicam isso claramente. Da mesma maneira que um pouco de fermento leveda toda a massa, o pecado de um prejudica toda a congregação. A correção (não a punição) é o objetivo deste arrependimento.

É necessário que a igreja aprenda a lidar com o pecado de seus membros de maneira bíblica, pois o crente pecará até o dia de sua morte, ou na ocasião do arrebatamento. Segundo João, “se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça . Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 João 1:8-10).

Em uma alusão à festa dos pães asmos o apóstolo diz: “lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa.” Esse festival simbolizava a libertação do Egito para os Israelitas (Êxoldo 12:15-17) e prefigurava também o cordeiro de Deus, que foi crucificado na ocasião da Páscoa. A morte de Cristo representa a libertação do domínio e da condenação do pecado para aquele que crê, pois “não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

Entretanto, não se pode ser livre da condenação e domínio do pecado por esforços humanos. O próprio Jesus afirma que “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Isso significa que somente quem é salvo, devido à presença permanente do Espírito Santo, tem a sabedoria para identificar e evitar tentações. Justamente por saber reconhecer a transgressão, o cristão em pecado deve ser exortado. Mas se insistir em pecar, mesmo depois de ser advertido pela igreja, deve ser disciplinado para que se arrependa e seja restaurado imediatamente. 

As palavras de Jesus à igreja de Tiatira (Aplocalipse 2:18-20) demonstram o quanto a tolerância com o pecado entristesse e ofende a Deus. Cristo glorificado instrui: “conservai o que tendes até que eu venha” (Apocalipse 2:25). A sã doutrina e as instruções bíblicas claras concernentes ao tratamento do pecado são preciosidades nas mãos do líder eclesiástico.

Embora a popularidade da disciplina congregacional tenha diminuído ao longo dos anos, a eficácia do método não deve ser discutida. O pastor que a evita implantar em sua igreja, por receio do conflito, traz grandes prejuízos espirituais ao seu rebanho.

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